Guiões de chamada

Oito técnicas de fecho ao telefone, e quando empregá-las

Oito formas de pedir o compromisso ao telefone. Cada uma pressupõe uma maturidade precisa do interlocutor, e enganar-se na técnica custa mais caro do que não fechar de todo.

Charles Baldet Charles Baldet 8 min de leitura Atualizado a

O fecho não é um momento, é uma consequência. Uma chamada bem conduzida fecha-se quase sozinha; uma chamada mal conduzida não se recupera com técnica nenhuma, por mais hábil que seja.

O que se segue parte dessa constatação: sete das técnicas abaixo formulam um pedido no momento certo e nos termos certos; a oitava consiste em calar-se depois de o formular. Nenhuma delas cria a vontade que não existia.

O pré-requisito que nada substitui

Antes de qualquer tentativa, é preciso ter obtido dois acordos explícitos: o acordo sobre o problema e o acordo sobre o facto de a sua proposta lhe dar resposta. Sem o primeiro, está a vender uma solução a quem não se sabe doente. Sem o segundo, está a pedir um compromisso sobre uma hipótese.

Teste em duas perguntas

«Se resumir, o tema hoje é mesmo X?» e depois «e aquilo que acabei de lhe descrever daria resposta a isso?» Dois sins, pode fechar. Um não ou uma hesitação, volte ao diagnóstico.

1. O fecho alternativo

Duas opções, nenhuma das quais é a recusa. É a técnica mais usada na marcação de reuniões e a mais estragada por um mau uso: propor três horários em vez de dois reabre a deliberação.

Opções a mais

«Posso terça, quarta ou quinta, de manhã ou de tarde, como preferir.»

Alternativa fechada

«Quinta às 11h ou sexta às 14h?»

Quando empregá-la: o interlocutor concorda com o princípio e hesita quanto à execução.

2. O resumo

Retoma os pontos de acordo obtidos, pela ordem, e depois formula o pedido. A sua força está em o interlocutor ouvir as suas próprias palavras: é difícil desdizer-se de três afirmações que se acabou de fazer.

Condição de sucesso: retomar apenas o que ele disse de facto. Um resumo que embeleza deteta-se de imediato e destrói a confiança.

Quando empregá-lo: chamada longa, vários temas abordados, decisão partilhada.

3. O pedido direto

«Avançamos?» Subestimado por parecer simples demais, é ainda assim o mais eficaz perante um interlocutor apressado ou experiente, que reconhece as técnicas de imediato e as considera deslocadas.

Quando empregá-lo: gestor, ciclo curto, relação direta.

4. O silêncio

Formula o pedido e depois cala-se. Mais nada. É a técnica mais difícil de sustentar, porque três segundos de silêncio parecem intermináveis a quem acabou de falar.

Merece um desenvolvimento próprio: veja o silêncio na venda.

Quando empregá-lo: depois do preço, depois de um pedido de compromisso, depois de uma objeção tratada.

5. A projeção

Faz com que seja o interlocutor a descrever a situação depois da decisão. «Na prática, se os seus comerciais tivessem isto na próxima segunda-feira, o que mudaria no dia de trabalho deles?» Quem se projeta já decidiu a meio.

Atenção ao sentido da pergunta: é ele que deve descrever, não quem vende. Uma projeção que formula no lugar dele volta a ser um argumento.

Quando empregá-la: interlocutor interessado, mas incapaz de decidir.

6. O isolamento do último ponto

Enumera o que está resolvido, isola o único ponto que não está e faz confirmar que é mesmo o último. O resumo faz dizer sim sobre o que já está adquirido; o isolamento faz dizer de que depende o não.

Quando empregá-lo: negociação avançada, um ou dois pontos por desbloquear.

7. A urgência real

Um prazo existente, nunca inventado: fim de trimestre no cliente, chegada de comerciais a equipar, renovação de um contrato em curso. Funciona porque pertence ao interlocutor, não a si.

A falsa urgência paga-se duas vezes

Um desconto «válido até sexta-feira» que reaparece no mês seguinte ensina ao cliente duas coisas: que os seus prazos são decorativos e que lhe convém esperar pelo próximo.

Quando empregá-la: apenas se o prazo for verificável pelo interlocutor.

8. A retirada

Sugere que a oferta talvez não seja adequada. «Pelo que me diz, pergunto-me se é mesmo o momento certo para si.» É a técnica mais arriscada e a mais eficaz perante quem testa a sua necessidade de vender.

Exige estar preparado para ouvir «de facto, não é». Usada como fingimento, volta-se contra si: o interlocutor agarra a saída que lhe acabou de abrir.

Quando empregá-la: interlocutor que multiplica os pedidos sem nunca se comprometer.

Escolher a técnica certa

Situação Técnica A evitar em absoluto
Primeira chamada, marcação de reunião Alternativo Retirada
Gestor apressado, ciclo curto Pedido direto Resumo longo
Decisão coletiva Resumo Urgência
Interlocutor que hesita sem motivo claro Projeção Pedido direto
Pedidos repetidos, nenhum compromisso Retirada Nova concessão
Resumo e depois silêncio
Você

Se retomar o que me disse: os seus três novos comerciais chegam em outubro, ainda não acompanha o número de chamadas atendidas, e disse-me que era o seu ponto cego.

Ele

Sim, é isso mesmo.

Você

Então proponho que equipemos um único comercial em outubro e que olhemos para os números dele ao fim de três semanas. Parece-lhe bem?

Depois, nada. O silêncio pertence agora ao interlocutor: é a ele que cabe quebrá-lo.

Três técnicas que se voltam contra si

  • O desconto espontâneo. Baixar o preço antes de lho pedirem ensina que o valor anunciado estava inflacionado. Veja negociar sem baixar o preço.
  • A pergunta culpabilizante. «Não está interessado numa equipa mais eficaz?» não deixa nenhuma resposta honrosa, logo nenhuma resposta.
  • A insistência em ciclo. Reformular três vezes o mesmo pedido na mesma chamada não faz ceder, transforma um «agora não» num «nunca mais».

Se a chamada terminar sem compromisso, apesar de tudo, nada está perdido: o resto joga-se por escrito, com o email de seguimento após uma chamada.

Perguntas frequentes

Qual é o melhor momento para fechar ao telefone?

Assim que o potencial cliente manifestou acordo sobre o problema e sobre o valor da solução. Esperar para além desse ponto nada acrescenta: dá tempo às objeções para se recomporem.

Quantas vezes se pode tentar fechar na mesma chamada?

Duas, excecionalmente três se entretanto surgiu um elemento novo. Acima disso, a insistência instala-se e prejudica a relação nas chamadas seguintes.

Deve fechar-se logo na primeira chamada de prospeção?

Sim, mas sobre a coisa certa. O fecho de uma chamada fria incide sobre a reunião, não sobre a venda. Confundir as duas faz perder ambas.

O que fazer quando o interlocutor diz «vou pensar»?

Nunca aceitar tal e qual, sem por isso o contrariar. Pergunte sobre o que incide exatamente a reflexão: a resposta distingue a objeção real da recusa educada.

As técnicas de fecho são manipuladoras?

Tornam-se manipuladoras quando criam uma pressão inexistente, como uma urgência inventada. Formular com clareza um pedido no momento certo não é manipulação, é o contrário da ambiguidade.

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