Guiões de chamada

« Já fazemos isso internamente »

A recusa mais frequente na consultoria e no software. Não anuncia desinteresse, mas uma decisão já tomada, e é sobre os pressupostos dessa decisão que a conversa pode recomeçar.

Charles Baldet Charles Baldet 8 min de leitura Atualizado a

« Já fazemos isso internamente » tem esta particularidade: parece uma porta fechada quando na verdade contém uma informação valiosa. O seu interlocutor reconhece a necessidade. Está apenas a dizer-lhe que já escolheu como respondê-la.

O que esta frase diz na realidade

Cobre três situações muito diferentes, e confundi-las leva à resposta errada.

Situação Indício O que pode reabrir
É verdade e funciona Cita um nome, uma organização, números O custo escondido, o aumento de volume
É verdade e funciona mal Matiza, precisa « por agora » O ponto de rutura, muitas vezes uma contratação
É uma fórmula para desligar Nenhum pormenor, tom apressado Nada nesta chamada. Reagendar.

Porque não é « já temos um fornecedor »

A distinção é decisiva, e muitos comerciais deixam-na escapar.

Perante um fornecedor concorrente, está numa concorrência comercial: o seu interlocutor pode mudar de ideias sem se desdizer, porque a escolha envolvia um terceiro. Perante uma solução interna, está a pedir a alguém que reconheça que a sua própria decisão era melhorável. É uma conversa de outra ordem.

Daí a regra central: nunca opor a sua oferta ao que já existe. Procure antes o que mudou desde a decisão. Um contexto que evolui permite reexaminar uma escolha sem que ninguém esteja errado.

As três perguntas que reabrem

  • « Desde quando? » A pergunta mais rentável. Um dispositivo montado antes de um crescimento, de uma contratação ou de uma mudança de ferramentas foi calibrado para uma realidade que já não existe.
  • « Quem trata disso? » Revela o custo real. « É a Rita, entre dois processos » não descreve uma organização, mas uma carga invisível suportada por alguém.
  • « O que é que medem nisso? » Se nada é medido, ninguém pode afirmar que funciona. A pergunta abre uma brecha sem nunca acusar.

A formulação que faz a diferença

Nenhuma destas três perguntas contesta a escolha. Interessam-se pelo seu contexto. O seu interlocutor pode responder-lhes com honestidade sem ceder nada, e é essa a condição para que responda de todo.

Uma conversa completa

Da objeção à reunião
Ele

Olhe, obrigado, mas já fazemos isso internamente.

Você

Certo, acontece muitas vezes em equipas da vossa dimensão. Estão organizados assim desde quando?

Nem contestação nem argumento. Valida-se, depois data-se.

Ele

Deve fazer uns dois anos, mais ou menos.

Você

E a equipa comercial tem a mesma dimensão que há dois anos?

Ele

Não, passámos de quatro para nove, e estamos a recrutar mais três.

Você

É exatamente esse o ponto. O que aguenta com quatro raramente aguenta com doze, e não é uma questão de ferramenta: é uma questão de volume. Hoje, medem o número de chamadas atendidas por comercial?

A mudança de contexto faz o trabalho. Ninguém esteve errado.

Ele

Não, olhamos para a faturação.

Você

Proponho vinte minutos, não para substituir o que têm, mas para comparar os vossos números com os de equipas de doze pessoas. Quinta às 11h ou sexta às 14h?

O pedido é sobre uma comparação, não sobre uma mudança. Nada a renegar para aceitar.

Procurar a coexistência, não a substituição

É a inversão mais eficaz nesta objeção. Enquanto a sua proposta implicar desmontar o que existe, mobiliza contra si quem o construiu. A partir do momento em que se acrescenta, deixa de custar alguma coisa examiná-la.

Na prática: proponha equipar um único posto, por um período curto, ao lado do que já existe. Uma comparação ao longo de três semanas decide com mais segurança do que três reuniões, e não compromete ninguém.

O que fecha a porta de vez

  • « Sim, mas nós fazemos melhor. » Acabou de dizer a alguém que o trabalho dele é medíocre.
  • « Estão a perder dinheiro sem saber. » Talvez verdade, insultuoso de certeza.
  • « Muitos dos nossos clientes diziam o mesmo antes. » Fórmula de manual, identificada como tal de imediato.
  • Emendar com uma demonstração. Confirma que não ouviu a resposta.

Reconhecer a recusa verdadeira

Quando as três perguntas ficam sem resposta detalhada, não havia objeção: era uma fórmula de cortesia para terminar a chamada. Insistir não produz nada, a não ser a certeza de que a próxima chamada não será atendida.

Nesse caso, a saída correta parece-se com a de « liga em mau momento »: deixar a conversa preservando a possibilidade de outra chamada, e deixar rasto escrito com o email de seguimento após uma chamada.

Perguntas frequentes

O que responder a « já fazemos isso internamente »?

Não conteste. Pergunte sobre que pressupostos foi tomada essa decisão, e quando. Uma escolha feita há dois anos, antes de uma contratação ou de um crescimento, merece ser reexaminada sem que ninguém tenha de se desdizer.

É uma objeção verdadeira ou um pretexto?

Existem as duas. O pretexto reconhece-se pela falta de pormenor: quem faz realmente a coisa internamente sabe dizer quem trata dela e desde quando. A ausência de resposta a estas perguntas assinala uma recusa cortês.

Deve criticar-se a solução interna do potencial cliente?

Nunca. Foi montada por alguém, muitas vezes pelo próprio interlocutor. Criticá-la transforma uma conversa comercial numa defesa de ego, e nesse terreno perde-se sempre.

Como conseguir uma reunião apesar desta objeção?

Propondo uma comparação com números em vez de uma demonstração. « Vinte minutos para comparar os vossos números atuais com os de equipas semelhantes » não obriga a abdicar de nada.

Ler a seguir

Objeção: o meu número

« Como obteve o meu número? »

A única objeção cuja má resposta o expõe. Resposta transparente, enquadramento legal e regresso à chamada.

Objeção: mau momento

« Liga em mau momento, estou numa reunião »

A única recusa em que a resposta certa é desligar. Desde que saia com um horário, não com uma intenção.

Método CROC

O método CROC: estruturar uma chamada de prospeção em quatro tempos

Contacto, Razão, Objetivo, Conclusão. A estrutura mais ensinada na prospeção, desmontada e voltada a montar sobre uma chamada real.

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