Guiões de chamada

Guião de chamada após uma reunião falhada

Uma reunião falhada não é uma recusa, e a janela para a recuperar fecha-se mais depressa do que se pensa. O que dizer, e sobretudo o que não deixar transparecer.

Charles Baldet Charles Baldet 8 min de leitura Atualizado a

O potencial cliente aceitou um horário, marcou-o na agenda e não apareceu. A reação espontânea é esperar educadamente e enviar uma mensagem no dia seguinte. É quase sempre a pior decisão.

A janela conta-se em minutos

À hora marcada mais dez minutos, o seu interlocutor ainda tem o espaço livre na agenda, ainda se lembra da reunião e sabe que acabou de a falhar. Amanhã, estas três condições já não estarão reunidas.

No dia seguinte, o espaço foi ocupado por outra coisa, a memória esbateu-se e a sua mensagem junta-se à pilha dos seguimentos comerciais habituais. Já não está a remarcar uma reunião falhada: está a recomeçar a marcação.

Prazo O que faz Quanto vale
+ 5 a 10 minutos Chamada Remarcação imediata, muitas vezes na hora
+ 15 minutos Mensagem escrita com duas propostas de horário Boa opção, se não atendeu
No dia seguinte Uma última chamada Fraco, mas custa dois minutos
Uma semana depois Nada de específico Voltou à prospeção comum

O tom: nunca pôr o outro em falta

Tudo assenta num princípio: o seu interlocutor não deve ter de pedir desculpa. Uma pessoa colocada em posição de culpa evita depois a conversa, não por má vontade, mas porque retomá-la obriga a voltar a um momento incómodo.

Pôr em falta

«Bom dia, tínhamos reunião às 11h00 e não o vi, queria saber o que aconteceu.»

Imprevisto presumido

«Bom dia, Sr.ª Ana Ferreira, fala Marco Duarte. Ligo-lhe porque calculo que tenha surgido alguma coisa em cima da nossa reunião das 11h00. Voltamos a marcá-la?»

A segunda formulação dá a desculpa em vez do potencial cliente. Evita-lhe ter de inventar uma explicação, que é exatamente o serviço a prestar-lhe neste momento.

A chamada, palavra a palavra

Chamada dez minutos depois da hora marcada
Você

Bom dia, Sr.ª Ana Ferreira, fala Marco Duarte da Skipcall. Calculo que tenha surgido alguma coisa em cima da nossa reunião das 11h00, acontece. Voltamos a marcá-la?

Nenhuma censura, nenhuma pergunta sobre a causa. Passa-se diretamente à solução.

Ela

Ah, desculpe, tive uma urgência e esqueci-me completamente de o avisar.

Você

Não há problema nenhum. Tem dez minutos agora, ou marco-lhe vinte minutos mais à frente esta semana?

A alternativa inclui «agora». Quem se sente em falta aceita muitas vezes de imediato, e o assunto fica resolvido.

Ela

Agora não posso, mas quinta-feira à tarde sim.

Você

Quinta-feira às 14h00, vinte minutos. Envio-lhe já o convite e deixo-lhe um lembrete na véspera. Bom dia, Sr.ª Ana Ferreira.

O lembrete na véspera é anunciado de forma explícita: é o que costuma evitar o segundo no-show.

Se também não atender

O escrito assume o lugar dentro de um quarto de hora. Três linhas, nenhuma queixa, duas propostas de horário e uma saída honrosa.

Mensagem escrita, quinze minutos depois
Assunto

A nossa reunião das 11h00

Mensagem

Bom dia, Sr.ª Ana Ferreira, calculo que tenha surgido uma urgência antes da nossa conversa desta manhã. Proponho-lhe quinta-feira às 14h00 ou sexta-feira às 10h00, vinte minutos. Se o assunto já não faz sentido, diga-mo simplesmente, que não volto a insistir.

A última frase conta tanto como as duas propostas de horário. Torna o «não» fácil, e é precisamente isso que faz com que se obtenha uma resposta em vez de um silêncio.

As quatro causas frequentes

Causa Sinal distintivo O que a corrige
Agenda cheia Remarca de imediato Lembrete na véspera, reunião mais curta
Reunião aceite depressa demais Já não se lembra do objetivo Reformular o objetivo no fim da primeira chamada
Interesse real mas prioridade baixa Responde, mas adia duas vezes Reduzir para dez minutos, ou esperar um momento mais oportuno
Recusa não expressa Silêncio total em todos os canais Nada. Sair de forma limpa.

Reduzir os no-shows a montante

A maior parte das reuniões falhadas joga-se na chamada anterior, não no dia marcado. Quatro gestos reduzem visivelmente a sua frequência.

  • Reformular o objetivo no fim da primeira chamada. Uma reunião cuja razão já não se sabe não pesa nada perante uma urgência.
  • Enviar o convite durante a chamada. Ainda ao telefone, não à tarde.
  • Anunciar uma duração curta e cumpri-la. Vinte minutos defendem-se melhor do que uma hora.
  • Prever um lembrete na véspera. Uma linha escrita chega, e no terreno é o gesto que mais muda.

Quando desistir

Depois de uma chamada, de uma mensagem e de uma última chamada no dia seguinte, a ausência de resposta constitui uma resposta. Insistir para além disso não custa apenas tempo: fecha a possibilidade de voltar a ligar a esta empresa daqui a seis meses, quando o contexto tiver mudado.

Um processo abandonado de forma limpa continua a poder ser retomado. É esse o objetivo do guião de reabertura de um negócio perdido, que pressupõe justamente não ter deixado má recordação. Para a versão escrita destes seguimentos, veja os cinco modelos do email após uma chamada.

Perguntas frequentes

Quando voltar a ligar depois de uma reunião falhada?

Nos cinco a dez minutos seguintes à hora marcada, enquanto o espaço ainda está livre na agenda do interlocutor. Esperar pelo dia seguinte transforma uma remarcação imediata num seguimento comum.

O que dizer a um potencial cliente que não apareceu?

Sobretudo não que ele não apareceu. Presuma um imprevisto, proponha remarcar e deixe-lhe a possibilidade de não se justificar. Pô-lo em falta custa-lhe a reunião seguinte.

Quantas vezes insistir depois de um no-show?

Uma chamada imediata, uma mensagem escrita logo a seguir, uma última chamada no dia seguinte. Depois disso, a ausência de resposta é uma resposta.

Um no-show significa que não há interesse?

Não necessariamente. Em boa parte dos casos trata-se de uma agenda cheia ou de uma reunião aceite depressa demais. A qualificação da necessidade, essa, não mudou desde a primeira chamada.

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